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Representantes de Cidades Criativas brasileiras contam estratégia para obter selo

Representantes de Cidades Criativas brasileiras contam estratégia para obter selo

quinta, 08 de novembro 2018
Oito cidades do Brasil contam com selo da Unesco. No mundo todo, são 180, distribuídas em 72 países

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) decidiu, em 2004, estabelecer uma nova estratégia para promover a inovação e a criatividade como principais impulsionadores de um desenvolvimento urbano mais sustentável e inclusivo. Foi, então, criado o selo de Cidade Criativa, hoje compartilhado por 180 cidades de 72 países, sendo oito no Brasil: Belém (PA), Florianópolis (SC), Paraty (RJ), Brasília (DF), Curitiba (PR), João Pessoa (PB), Salvador (BA) e Santos (SP).

Nesta quinta-feira (8), representantes de seis dessas cidades participaram, no Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR), do painel Cidades Criativas Brasileiras. Eles falaram do trabalho realizado pelos municípios para obter e manter o selo da Unesco. 

"O selo de Cidade Criativa tem de ser trabalhado, cuidado, senão há risco de ser suspenso", destacou João Carlos Clatau, presidente da Companhia de Desenvolvimento de Belém. A cidade paraense recebeu o selo na categoria gastronomia. "Parte do sucesso se deve ao chef Alex Atalla. O Instituto Atá, com sua pesquisa de ingredientes amazônicos, reforçou internacionalmente a imagem da cidade e de sua gastronomia”, destacou.

Segundo a presidente da Associação FloripAmanhã, Anita Pires, o selo ajuda a vender a cidade catarinense, que também detém o título na categoria gastronomia, para um mercado turístico mais qualificado. Orgulhosa, ela diz que fizeram por merecer: “Setenta por cento das ostras brasileiras somos nós que produzimos”, afirmou. 

Brasília é uma das 31 cidades do mundo que ostenta o título na categoria design, juntamente com Curitiba. Para a secretária adjunta de Turismo do Distrito Federal, Caetana Franarin, a cidade “já nasceu design” com o belo trabalho de Oscar Niemeyer, Athos Bulcão e Lúcio Costa. “As placas icônicas de sinalização utilizadas na cidade, criadas por Lúcio Costa, estão no Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMa”.

Em Curitiba, o diferencial fica por conta da planejamento urbano e da inovação, que fazem parte do "DNA da cidade”, segundo o chefe de Relações Institucionais da Prefeitura da capital paranaense, Rodolfo Feijó. “O sistema BRT de ônibus desenvolvido por nós na década de 1970 foi adotado por mais de 250 cidades do mundo”, destacou.

Um dos critérios que a Unesco leva em conta designar uma cidade como criativa é o envolvimento da população. Foi esse um dos diferenciais que levaram Paraty a obter a excelência em gastronomia, segundo Sandrine Ghys, assessora da Prefeitura Municipal de Paraty. “Foi criado o Mercado dos Peixes para oferecer peixe fresco direto para o consumidor, gerido diretamente pelos pescadores e pelas mulheres deles”, contou.

A última cidade brasileira a receber o selo de Cidade Criativa foi João Pessoa, em 2017, na categoria Artesanato e Artes Populares. Surfando na onda, a capital paraibana convida turistas do mundo inteiro para conferir os motivos na Feira Internacional de Economia Criativa, que este ano ocorre entre 19 e 25 de novembro.

Sobre o MicBR

O Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR), promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ocorre até 11 de novembro, em São Paulo. O megaevento reúne milhares de empreendedores brasileiros e de sete países sul-americanos em atividades de capacitação, rodadas de negócios e apresentações artístico-comerciais, além de um público geral de aproximadamente 30 mil pessoas. Dez áreas da produção cultural estarão envolvidas: artes cênicas, audiovisual, animação e jogos eletrônicos, design, moda, editorial, música, museus e patrimônio, artes visuais e gastronomia.