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Ópera brasileira discute desafios para o crescimento do setor

Ópera brasileira discute desafios para o crescimento do setor

sábado, 10 de novembro 2018
Especialistas brasileiros e latino-americanos se encontraram para avançar em estratégias de intercâmbio

Os desafios para o crescimento da ópera no Brasil e as conexões com outros países da América Latina foram tema de debate ontem no Teatro Eva Herz, como parte da programação do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR), megaevento promovido até este domingo (11), em São Paulo, pelo Ministério da Cultura e a Apex-Brasil.

Flávia Furtado, diretora-executiva do mais bem sucedido evento do setor no país, o Festival Amazonas de Ópera, admite que "trabalhar ópera é caro”, mas argumenta com planilhas que o investimento é rentável.

Segundo ela, por meio do Teatro Amazonas, investimentos de R$ 5 milhões levaram à criação de 578 empregos no último ano. Ela cita como comparação a indústria de brinquedos, que com incentivos fiscais de R$ 35 milhões, criou 201 postos de trabalho no mesmo período. 

A diretora listou 144 títulos de óperas brasileiras de 51 compositores - a maioria quase esquecida pelo público - que poderiam contribuir para a economia do País caso fossem mais bem aproveitadas. “Poderíamos estar exportando", diz ela.

Rede latino-americana

A articulação dos atores do segmento no Brasil com os de outros países do continente fica à cargo da OLA – Ópera Latinoamérica. Criada em 2007, a entidade fez este ano a primeira reunião de diretores técnicos de 28 teatros de 11 países da região e da Espanha.

O objetivo é permitir que os filiados aumentem o número de apresentações de óperas, favorecendo a formação de um grande circuito, a diluição dos custos e a popularização da arte. “Hoje, 80% dos teatros do mundo não têm informações sobre o que podem programar”, explica a chilena Paulina Ricciardi, coordenadora da OLA. No futuro, a entidade pretende conectar produtores da América Latina em mais de 400 salas em todo o mundo.