Notícia

MicBR terá sessão gratuita do longa Paraíso Perdido nesta sexta-feira (9)
Erasmo Carlos, em cena do longa Paraíso Perdido, que terá sessão gratuita na programação do MicBR nesta sexta (9) - Crédito: Divulgação

MicBR terá sessão gratuita do longa Paraíso Perdido nesta sexta-feira (9)

quinta, 08 de novembro 2018
Diretora Monique Gardenberg vai participar do MicBr após exibição do filme
Uma das mais conceituadas diretoras de cinema e teatro no Brasil, atuante em várias áreas onde a predominância ainda é masculina, Monique Gardenberg estreou no final de outubro o filme Paraíso Perdido. Profissional experiente, a cineasta conduz com pulso firme e delicado a história de uma família disfuncional em que a música atua quase como mais um ator, levando o enredo para frente. "Compreendi que o filme seria também uma homenagem à música romântica popular brasileira, um gênero que até hoje é vítima de muito preconceito", diz Monique em entrevista ao MicBR (leia íntegra abaixo).

É sobre esse último trabalho que Monique vai falar, nesta sexta (9/11), dentro da programação do Mercado de Indústrias Criativas do Brasil (MicBR). A sessão gratuita será no Cine Belas Artes às 16h, seguida pela conversa com Monique e o cantor paraense Jaloo, uma bela revelação no filme também como ator. “Ao destacar a Cultura como parte essencial e integrante da cadeia produtiva do nosso país, o MicBR incentiva esta indústria que já é hoje a segunda maior em diversos países do Primeiro Mundo”, elogia a cineasta. O megaevento é organizado pelo Ministério da Cultura (MinC) e Apex-Brasil, em parceria com a Organização de Estados Ibero-americanos (OEI), em diversos espaços da Avenida Paulista, em São Paulo, entre 6 e 11 de novembro.

Paraíso Perdido, o filme
O eterno Tremendão, Erasmo Carlos, é o patriarca José, viúvo dono de uma boate, chamada Paraíso Perdido. Nesse paraíso as fronteiras de gênero são borradas e os conflitos crescem. José é pai de Angelo (Júlio Andrade), que perdeu a mulher e cuja irmã, Eva (Hermila Guedes), está  presa por um homicídio.
 
Os netos de José são Imã (Jaloo), um transformista vítima de ataques por ser gay, e Celeste, personagem interpretado pela atriz pernambucana Julia Konrad. Enquanto esperam a libertação de Eva, que mantém na cadeia uma relação com Milene (Marjorie Estiano), o policial Odair (Lee Taylor) defende Imã, agredido em um ataque homofóbico. Seu Jorge faz papel de um motoqueiro e solta o vozeirão no palco enquanto a família procura se entender.
 
A música dita romântica ou brega, já um clássico no repertório nacional, está entre os pontos mais apaixonantes do longa. A trilha sonora de Zeca Baleiro apresenta releituras de canções de Odair José, Marcio Greyck, Belchior, Raul Seixas, Reginaldo Rossi e vários outros, que mantêm o encantamento da platéia. A direção de fotografia é de Pedro Farkas. Para assistir à exibição do longa e participar do bate-papo com Monique Gardenberg, inscreva-se no site micbr.cultura.gov.br.
  
Cinco perguntas para a cineasta Monique Gardenberg

MicBR - Como foi seu processo de criação do longa Paraíso Perdido?
Monique Gardenberg - Tudo começou com a vontade de voltar a filmar uma história autoral, como Jenipapo, meu primeiro filme. Desde então só adaptei obras: Benjamim, de Chico Buarque, Ó Paí Ó, do Bando de Teatro Olodum, A Caixa Preta, de Amos Oz e Boca do Inferno, de Ana Miranda. E os dois últimos ainda seguem na luta para sair do papel. Mas logo vem a pergunta: o que eu quero contar? Eu sabia apenas que queria estar perto de um universo mais popular, então coloquei para tocar Impossível Acreditar Que Perdi Você, de Marcio Greyck. E foi assim que tudo começou. 

MicBR - Há vários profissionais de música na tela - Erasmo Carlos, Jaloo, Seu Jorge - e a crítica aponta o excelente Júlio Andrade como ótimo cantor também. Qual o papel da música no desenrolar dessa narrativa? 
Monique Gardenberg - Muito cedo compreendi que o filme seria também uma homenagem à música romântica popular brasileira, um gênero que até hoje é vítima de muito preconceito. E foi a partir de suas letras, sempre muito intensas, apaixonadas, que eu encontrei inspiração para criar uma história igualmente intensa e muito amorosa. A música funciona como narrativa, portanto, é um elemento importantíssimo em Paraíso Perdido. A música revela a história, comenta o estado de espírito de seus intérpretes. E como o eixo central da história passaria a ser aquela noite e a família de cantores, busquei talentos que pudessem atuar nas duas frentes com a mesma força. 
 
MicBR - Como você escolheu as canções? A influência vem da sua atuação como produtora de vários cantores e festivais?
Monique Gardenberg - Junto com Zeca Baleiro fiz uma pesquisa extensa, buscando canções que pudessem contribuir com a narrativa, com as histórias de cada um. Sou apaixonada por música. Só consigo escrever ouvindo música, ela me tira do mundo.
 
MicBR - É um filme delicado. Como ele reflete o Brasil de hoje?
Monique Gardenberg - É um filme sobre o afeto, a tolerância, a liberdade, a oportunidade. Este é o Brasil que todos sonhamos, e que lutamos para ter. Precisamos nos sentir protegidos dentro de nossas escolhas, raça, crença, opção sexual ou idéias. Esta família compreendeu a importância de tudo isso, e o Brasil deve compreender também. Conseguimos alguns avanços, espero que não haja retrocessos daqui pra frente, e que a gente siga nesse movimento civilizatório tão essencial para a evolução da sociedade brasileira. 

MicBr – Como você avalia a iniciativa do Ministério da Cultura em promover a economia criativa no MicBR?
Monique Gardenberg - Ao destacar a Cultura como parte essencial e integrante da cadeia produtiva do nosso país, o MicBR incentiva esta indústria que já é hoje a segunda maior em diversos países do Primeiro Mundo. O Brasil tem talentos de sobra e vem criando condições ao longo dos anos para o seu desenvolvimento. Temos tudo para dar um salto ainda maior no futuro, reconhecer cada vez mais a sua importância na formação de um povo e sua enorme potência como um produto nacional, capaz de movimentar a economia do país e conquistar o mundo.

Imprensa 
Contatos: (61) 99906.3818 / (11) 99649.8943 
Local: Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000), São Paulo-SP