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Escola estadual de Campo Grande recebe prêmio nacional de educação empreendedora

Escola estadual de Campo Grande recebe prêmio nacional de educação empreendedora

quinta, 08 de novembro 2018
Projeto busca desenvolver a autonomia de presos para reintegrá-los à sociedade com novas habilidades
Uma escola de Campo Grande (Mato Grosso do Sul) que desenvolve um trabalho inovador em unidades prisionais da cidade recebeu o prêmio Educação Empreendedora dado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). A premiação foi durante o Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR) na quarta (7), quando foi apresentado o projeto desenvolvido pela Escola Estadual Profa. Regina Lúcia Anffe Nunes Betine. 

Seguidora dos princípios pedagógicos de Paulo Freire e Marc de Maeyer, que prega que "educação na prisão não é uma mera atividade", a escola atua no Instituto Penal de Campo Grande, no Presídio Feminino, no Centro de Triagem e no Estabelecimento Penal de Segurança Máxima da capital mato-grossense. 

Cada unidade penal desenvolve o seu próprio projeto, mas em todas elas são trabalhados conceitos de sustentabilidade e normas de segurança. Feiras de ciências usam água, palitos, moedas e outros objetos para mostrar experimentos simples de Física e Química. Também há aulas de canto. Nos dias de mostras culturais, diretores e funcionários da escola vão até os presídios para ver os resultados. Cada 12 horas de frequência escolar equivale a um dia a menos na pena dos internos.

Com base na percepção de que o ensino tem que ter serventia para o preso quando voltar ao convívio social, a escola procura desenvolver a autonomia, criatividade e autocontrole dos presos. No Estabelecimento de Segurança Máxima, os internos aprendem a fazer produtos que levam o nome da instituição, como sabonetes e desinfetantes. No Instituto Penal, aprendem a produzir artesanato, como panos de prato, camisetas e chinelos. 

Em 29 de novembro, a professora Maria Ester Garcia vai representar a escola na premiação nacional - que abrange também outras categorias. “Esse prêmio é um resultado de vida para mim”, ela diz. O prêmio é anual e se destina aos professores de escolas públicas do país. Ele é concedido pelo Ministério da Educação (MEC), financiado por patrocinadores privados e administrado pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI).