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Economia criativa e tecnologia, uma parceria necessária
Painel debateu necessidade de integrar políticas públicas para tecnologia e economia criativa - Crédito: Produtora Nova Ideia

Economia criativa e tecnologia, uma parceria necessária

sexta, 09 de novembro 2018
Painel debateu necessidade de integração de ações e políticas públicas para os dois segmentos
O descasamento entre Economia Criativa e Tecnologia foi o ponto central do debate que reuniu representantes dos dois segmentos e também o Sebrae, que inaugurou no começo do ano um Centro de Economia Criativa, para dar suporte a novos empreendedores. “O país não é só agronegócio e precisamos mostrar o potencial da Economia Criativa, já representa 2,64% do PIB”, disse José Carlos Aronchi, do Sebrae, que mediou o debate durante o Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR) nesta sexta (9). 

É consenso entre os participantes que tanto a Economia Criativa quanto o segmento de Tecnologia têm muito a ganhar com uma aproximação. “Não dá mais para separar um mundo on e outro mundo off, não dá para politizar economia criativa e tecnologia. Não cabe mais”, disse Lucas Foster, fundador do Project Hub e idealizador do Prêmio Brasil Criativo. O executivo acredita que a separação das políticas públicas em ministérios diferentes - com a Economia Criativa sob responsabilidade do Ministério da Cultura (Minc) e as políticas para startups com o Ministério da Ciência e Tecnologia - contribui para esse cenário. “Tem muitos programadores trabalhando para escritório de contabilidade e advocacia, e outro tanto de empreendedores de Economia Criativa que não sabem programar.”

Considerado pela Associação Brasileira de Startups como o melhor mentor do Brasil, Edson Mackenzie focou suas análises na dificuldade do empreendedor que muitas vezes tem uma ótima ideia, mas um time mediano, o que explica o nível elevado de morte das startups. “É melhor ter uma ideia mediana e um time ótimo porque a chance de sucesso é melhor”, diz Mackenzie, mencionando também um ambiente regulatório que desestimula.

Lucas Foster contou um pouco de sua experiência internacional, quando tentou levar um aplicativo para o Canadá e “tomou um banho de água fria”. “Nós não estamos preparados para concorrer globalmente, o Brasil é um mercado tão grande que não temos como parte da estratégia inicial já olhar para fora”, disse o executivo. Mackenzie fez coro: “Uma empresa na Holanda, que é um mercado pequeno, já nasce pensando no exterior porque só assim pode crescer e sobreviver. A gente abre uma empresa em São Paulo pensando em vender, no máximo, para Curitiba.”

Um exemplo citado pelo consultor, na direção contrária, que juntou tecnologia e Economia Criativa foi a Queremos, criada para financiar coletivamente shows de jovens artistas. Para garantir a sobrevivência, migrou para os Estados Unidos, onde atende por “We demand”. “É um caso de sucesso que buscou o mercado externo para garantir sobrevivência, mas não é comum no país", disse Mackenzie.