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Diversidade é chave para desenvolver gastronomia como economia criativa

Diversidade é chave para desenvolver gastronomia como economia criativa

sábado, 10 de novembro 2018
Palestrantes destacam o papel do pequeno produtor para o fortalecimento do setor

Em debate no Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR) sobre “O poder do alimento para internacionalizar o país”, Luis Ginnochio, especialista em alimentação e inovação e ex-ministro da Agricultura do Peru, e Roberto Smeraldi, vice-presidente do Instituto ATÁ, ressaltaram a diversidade cultural dentro dos países como fator de desenvolvimento da gastronomia.

“É preciso haver uma identidade de território para abrir negócios gastronômicos. Tem que entender a complexidade do território, que é algo vivo, é um conjunto de atributos tecnológicos, culturais, históricos e biológicos que formam uma identidade. A cozinha é apenas um dos muitos elos da cadeia de valor da chamada gastronomia. Para ter inovação, é preciso ressaltar os pressupostos da diversidade, da ligação com os territórios”, afirmou o vice-presidente do Instituto ATÁ, instituto do chef Alex Atala cujo objetivo é estruturar cadeias produtivas sustentáveis mais próximas ao pequeno produtor e com alimentos saudáveis. 

Smeraldi inclui nesse conceito de diversidade a relação de um determinado produto com o local. O açaí, por exemplo, é um produto de exportação com origem no Pará. No entanto, em outros locais, a fruta não é consumida da mesma maneira como se consome no Pará. “Existe uma desconexão. O açaí exportado é beneficiado no Ceará, que não tem um pé de açaí. Se você não tem capacidade de enraizar produtos em seus territórios, isso não é economia criativa”, afirmou.

Luis Ginnochio defende a revalorização de alimentos locais junto com o fortalecimento dos pequenos produtores. “Temos que nos converter naquilo que somos únicos, que é um atrativo. Os mercados estão em busca das especialidades dos territórios. Temos que pensar como fazer para transformar a diversidade cultural em produtos que o mundo possa degustar, mas também com toda a experiência do envolvimento com a comida”, disse Ginnochio, que também é conselheiro da Apega, uma instituição que articula toda a cadeia produtiva peruana ligada à gastronomia em conjunto com pesquisadores e empresários para que o setor seja fonte de identidade, inovação e desenvolvimento.

Segundo o ex-ministro da Agricultura do Peru, o movimento gastronômico de seu país trabalha para consolidar um sistema alimentar sustentável, apoiando a competitividade do turismo e o desenvolvimento regional, com muito foco nos pequenos produtores. “Sem os ingredientes maravilhosos da diversidade biológica, não se pode aproveitar as oportunidades de um mundo que quer sabores originais. E para seguir contando com esses ingredientes, é preciso revalorizar o trabalho da agricultura familiar”, afirmou. Para Ginnochio, esse trabalho passa por dar visibilidade ao agricultor, com o reconhecimento da sua origem geográfica, o estímulo de sua participação no comércio de sua colheita e a capacitação em negócios para uma integração maior às economias urbanas.  

Sobre o MicBR

O Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR), promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ocorre até 11 de novembro, em São Paulo. O megaevento reúne milhares de empreendedores brasileiros e de sete países sul-americanos em atividades de capacitação, rodadas de negócios e apresentações artístico-comerciais, além de um público geral de aproximadamente 30 mil pessoas. Dez áreas da produção cultural estarão envolvidas: artes cênicas, audiovisual, animação e jogos eletrônicos, design, moda, editorial, música, museus e patrimônio, artes visuais e gastronomia.