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Cultura é motor para transformação social e redução da violência
Projetos culturais precisam atuar como

Cultura é motor para transformação social e redução da violência

sexta, 09 de novembro 2018
Política baseada em cultura foi crucial na estratégia para derrubar criminalidade em Medellín
Ex-secretário de Cultura Cidadã e Desenvolvimento Social de Medellín, na Colômbia, Jorge Melguizo usou sua experiência bem-sucedida no projeto de cultura posto em prática na cidade colombiana para apontar o caminho das políticas públicas em áreas de elevada criminalidade. Autor de políticas que ajudaram a reduzir significativamente os índices de violência em Medellín, durante palestra no Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBr), nesta quinta (8), em São Paulo,  Melguizo defendeu a aplicação de políticas públicas na área de cultura como algo mais amplo e que resulte em mudanças sociais. “O que um bairro violento espera não são dois mil soldados. São dois mil professores, dois mil empreendedores", afirmou.

Em sua gestão como secretário de Cultura Cidadã de Medellín, de 2005 a 2009, e de Desenvolvimento Social, de 2009 a 2010, a cultura foi o eixo central da política de desenvolvimento municipal. A taxa de homicídios, que passava dos 380 casos por cem mil habitantes nos anos 90, caiu para 39 casos a cada cem mil habitantes ao fim de sua administração. “A cultura é chave fundamental nos planos de desenvolvimento da cidade de Medellín desde 2004. E todos os quatro prefeitos que estiveram desde então mantiveram a cultura como base de desenvolvimento”, afirmou durante apresentação no Centro Cultural São Paulo. 

A estratégia que Melguizo adotou em Medellín incluiu o aumento do investimento em educação, equipamentos culturais e novos projetos no setor, especialmente nos territórios mais pobres e violentos da cidade. O investimento em cultura saltou de 0,6% para 5% do orçamento municipal e o gasto em educação aumentou de 12% para 40% durante sua gestão. “O projeto de cultura de Medellín é amplo, articulado e ocorre nos lugares de maior violência e pobreza. É um projeto de transformação social. A cultura é vista como direito, como fator de igualdade e de inclusão”, afirmou. 

A Prefeitura de Medellín também redesenhou os principais eventos culturais a partir de uma perspectiva de inclusão. “A ideia era que os eventos fossem espaços de convivência”, disse, o que envolveu a instalação de 60 novos equipamentos culturais - a maioria em locais com baixos índices de desenvolvimento humano - como bibliotecas e unidades de cultura. “Existe uma construção coletiva do valor simbólico da cultura. Esse é o principal trabalho de Medellín, o simbolismo cultural. Quando produzimos esse capital simbólico, não se deixa a cultura para trás”, disse. 

O papel da economia criativa, afirmou, é não reproduzir o modelo das economias tradicionais, agregando mais justiça social, distribuição de renda e bem-estar social. “Se essa economia criativa não está servindo para transformar a sociedade, não é uma nova economia.” Projetos culturais, disse Melguizo, precisam atuar como um “antídoto à indiferença”, principalmente nos países da América Latina, marcados pela desigualdade. “É um projeto para apreciar a própria vida e aprender a viver com os outros, isso é fundamental em um projeto cultural, superando classismos e racismos”, disse o colombiano.

O MicBR é organizado pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), em parceria com a Organização de Estados Ibero-americanos (OEI).

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