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Avenida Paulista, espaço público ocupado por atividades culturais

Avenida Paulista, espaço público ocupado por atividades culturais

sexta, 09 de novembro 2018
Debate abordou ideia de que exemplo da Paulista Aberta deveria ser implementada em outras ruas de SP

É difícil não associar São Paulo a um de seus principais símbolos, a Avenida Paulista, que nos últimos anos passou a ser fechada aos domingos e virou palco de apresentação de artistas, manifestações e passeios de moradores e turistas. A iniciativa da rua aberta demanda uma gestão para conciliar interesses divergentes de quem usufrui o espaço, mas também serve de exemplo a ser replicado em outros locais da capital paulista. 

O tema foi debatido, nesta sexta-feira (9), no Centro Cultural São Paulo, e reuniu o professor e ex-secretário de Cultura de São Paulo, Nabil Bonduki, a prefeita regional de Pinheiros, Juliana Ribeiro, e o subprefeito da Sé, Eduardo Odloak. O encontro, aberto ao público e com entrada franca, fez parte da programação do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR), megaevento promovido até este domingo (11), em São Paulo, pelo Ministério da Cultura (MinC) e a Apex-Brasil. 

Ao longo do debate, Nabil Bonduki falou sobre a importância da cultura para a Avenida Paulista, defendeu que a ideia da Paulista Aberta deveria ser implementada em diversas outras ruas de São Paulo e lembrou da necessidade de criar distritos de economia criativa, a exemplo do que já ocorre em Buenos Aires, na Argentina. 

“O grande desafio para uma metrópole como São Paulo é que não podemos ter apenas a Avenida Paulista. Essa proposta deve se espalhar para resto da cidade”, afirmou. “O problema é a excessiva concentração, precisamos descentralizar e fazer isso de forma adequada”, completou.

Bonduki lembrou dos fatores que propiciaram o surgimento da Paulista Aberta. Entre eles, citou a criação da Virada Cultural, que trouxe a discussão do espaço público para a cultura e a sua consequente revalorização. Outro ponto mencionado foi uma série de projetos de lei que deram forma para essa proposta de uso do espaço publico, como a aprovação da lei dos artistas de rua.

O terceiro pilar explicado por Bonduki foi o plano diretor de São Paulo. “Ele coloca a importância de se alterar a lógica de mobilidade na cidade, buscando restringir o uso do automóvel e ter maior utilização de outro modais, como a bicicleta, o transporte coletivo e até andar a pé. É uma mudança de paradigma da cidade”, disse.

Outro ponto abordado pelo professor foi o papel da prefeitura tanto nos núcleos de economia criativo, previstos no plano diretor da capital, quanto para ruas abertas. “Temos que tocar isso para frente. Em Buenos Aires, os distritos criativos têm papel importante onde foram implementados. Isso envolve estímulos fiscais, atuação do poder publico”, disse. “Esse é o papel da prefeitura: estimular o surgimento, para que depois atuem com próprias pernas”, avaliou

Desafios

Também presente à mesa, Eduardo Odloak falou sobre desafios de gerir a Paulista Aberta e conciliar interesses de moradores, artistas e pedestres que circulam por ali. E falou sobre sua importância. “O sucesso é notório, a Paulista deu certo, é um grande evento, tem um simbolismo, é um Parque Ibirapuera das ruas. Desde que foi aberta, houve aumento na frequência e na referência dela para as pessoas”, contou.

Odloak afirmou que o papel da subprefeitura é de mediação, que existe um comitê gestor e medidas tomadas, como a previsão de 50 pontos para artistas de rua. Também citou alguns problemas, como o recolhimento de lixo, que chega a 12 toneladas no por domingo. “A avenida não foi pensada para isso. É um desafio saber como podemos dar um melhor atendimento ao público que vai lá, tem sido uma experiência rica e temos confiança que, com apoio de usuários, moradores e de quem trabalha, conseguimos fazer melhorias”, contou. 

Juliana também trouxe para o debate a questão da conciliação. “Na minha parte, que é da calçada para baixo da Paulista, fico com com as reclamações dos moradores”, brinca, sobre o uso da Avenida Paulista. “Tem sido um desafio de como fazer diálogo com comunidade para que ela compreenda que a cidade é viva, que é bacana a apropriação, embora isso traga algumas mudanças, e que ela abrace isso”, pontuou.

Sobre o MicBR

O Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR), promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ocorre até 11 de novembro, em São Paulo. O megaevento reúne milhares de empreendedores brasileiros e de sete países sul-americanos em atividades de capacitação, rodadas de negócios e apresentações artístico-comerciais, além de um público geral de aproximadamente 30 mil pessoas. Dez áreas da produção cultural estarão envolvidas: artes cênicas, audiovisual, animação e jogos eletrônicos, design, moda, editorial, música, museus e patrimônio, artes visuais e gastronomia.