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Além da estética, design italiano investe em sustentabilidade

Além da estética, design italiano investe em sustentabilidade

sexta, 09 de novembro 2018
Alex Terzariol falou no MicBR sobre funcionalidade e sustentabilidade de produtos premiados

Uma bota para alpinista com estrutura semelhante às asas de libélulas para garantir resistência e leveza, ou uma proteção para as costas de motociclistas, rígida e ao mesmo tempo com mobilidade, inspirada na armadura dos tatus. Esses são apenas alguns exemplos de um design marcado por três elementos, além da beleza: foco nas pessoas, sustentabilidade e mercado. 

A fórmula é defendida por Alex Terzariol, da Associação Italiana de Design. “É preciso explicar para o mercado, para as empresas, o que é design. Não é só arte, mas a produção de objetos que inovem, sejam funcionais e belos”, afirma o designer italiano. Ele ressalta, no entanto, a resistência de parte das empresas em adotar processos de produção mais sustentáveis e a valorizar a inovação. “É difícil ser um Dom Quixote lutando contra o sistema.”

Terzariol palestrou no painel “Excelência do design italiano e o prêmio Compasso D'Oro”, durante o Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR), que vai até domingo (11) em São Paulo, e chamou atenção para o processo criativo do design atual, focado nas pessoas. “Somos movidos pelo desejo, e o designer precisa interpretar isso, agir como psicólogo”, diz, defendendo que os objetos simplifiquem a vida das pessoas.

O design na atualidade, para o italiano, enfrenta também a necessidade de avançar nos processos de produção. Terzariol cita em especial as mudanças na Europa, que viu boa parte da produção de objetos migrar para o Oriente e ficou com uma produção em pequena escala. “Não dá para fazer um investimento muito alto em moldes e desenvolvimento de projetos. Tem de ter outra abordagem de economia de custos de produção, e isso influencia nosso trabalho”, diz. 

A tendência, para ele, é de um mix. “Uma mesma mesa, reproduzida dezenas de vezes, mas por um grupo de artesãos, na prática, acaba gerando peças únicas, que não são exatamente iguais.” O conhecimento cada vez maior dos materiais, incluindo recicláveis, na visão do designer italiano, é importante para o processo.

Ele cita o projeto que recebeu o prêmio Compasso D’Oro, um dos mais antigos e conceituados no setor. A empresa italiana Caimi Brevetti utilizou resina de garrafas pet recicladas para criar um painel que absorve som e pode ser usado em coberturas. “É um material flexível, colorido e funcional, além de poupar a natureza.” 

Terzariol destacou também a iniciativa da criação de um museu do prêmio em Milão, a ser inaugurado até 2020. “Todos os objetos premiados, ao longo dos mais de 60 anos da publicação, estarão expostos no museu, que terá workshop e outras exposições”, explicou.

Sobre o MicBR

O Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR), promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ocorre até 11 de novembro, em São Paulo. O megaevento reúne milhares de empreendedores brasileiros e de sete países sul-americanos em atividades de capacitação, rodadas de negócios e apresentações artístico-comerciais, além de um público geral de aproximadamente 30 mil pessoas. Dez áreas da produção cultural estarão envolvidas: artes cênicas, audiovisual, animação e jogos eletrônicos, design, moda, editorial, música, museus e patrimônio, artes visuais e gastronomia.