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“É preciso transmitir a importância da cultura para as crianças”

“É preciso transmitir a importância da cultura para as crianças”

quinta, 08 de novembro 2018
Confira entrevista com a cantora chilena Paz Court, que se apresentou nesta quinta-feira (8) durante o MicBR
Aos poucos, o palco localizado no piso térreo do SESC Avenida Paulista atraiu a atenção de curiosos que passavam pela emblemática avenida paulistana nesta quinta-feira (8). A cortina, quando aberta, revelou a cantora chilena Paz Court, que, em sua primeira apresentação em São Paulo, encantou os presentes com músicas que unem jazz e bolero. A apresentação fez parte da programação do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR), megaevento promovido até este domingo (11) pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Apex-Brasil.

Em entrevista, a cantora contou como a música entrou em sua vida, falou sobre a admiração por artistas brasileiros, como Marisa Monte e Marcelo Camelo, e defendeu a importância da economia criativa e de eventos que, como o MicBR, chamam a atenção para esse setor. Confira:

Como a música entrou na sua vida? 
Foi natural. Desde pequena, eu gosto de cantar e sempre respirei um ambiente cultural. Na minha casa, escutavam desde Chopin a Sepultura. Meus pais sempre me incentivaram. Ganhei deles o meu primeiro teclado e logo entrei para a Escola de Música, no Chile. Aos 14, conheci o jazz e aos 17, lancei meu primeiro disco. 

Ao longo do show, você disse ser admiradora da música brasileira. Quem são suas inspirações?
Eu gosto muito de Elis Regina, Marcelo Camelo e Marisa Monte. Influenciaram o meu último álbum. Fora do Brasil, gosto muito também de Elvis Presley e dos mexicanos do Los Panchos.

O que mais te dá prazer em trabalhar com a música?
Eu gosto de trabalhar com a criatividade. Sou de natureza criativa, me expresso, me relaciono e crio o meu mundo pessoal por meio da música. Hoje, trabalho com uma orquestra de 11 músicos no Chile. É um sonho que se tornou realidade. Eu me sinto muito afortunada de poder compartilhar minha música. Tento sempre transmitir uma mensagem de amor, ainda mais hoje em dia em que o mundo está voltado para outros interesses. 
   
Como define o seu estilo?
Eu inventei o conceito da canção romântica alternativa. Misturo jazz, rock, mas minha música também tem raízes em ritmos da América Latina, como bolero e chá chá chá. 

Qual é, na sua opinião, a importância das atividades criativas para a economia dos países? 
A economia criativa é um recurso que só agora muitos países estão enxergando, mas que ainda não está claro para muitos. Por isso, o MicBR é tão importante, porque traz essa visibilidade e permite criar redes. Eu sou música profissional, estudei muitos. Mas muitos acham que ainda é só um entretenimento e que os shows devem ser todos gratuitos. Acho que é importante transmitir isso na educação, para as crianças também, para que aprendam, desde cedo, a valorizar a cultura em suas vidas. 

O que pensa de ter um evento como o MicBR, inteiramente dedicado à economia criativa?
Penso que, hoje em dia, a música se move nesse circuito de economia criativa. O MicBR é uma instância ideal, porque une vários países da América do Sul, permite fazer contato com outros músicos e pessoas de outras áreas, como audiovisual.  É aquela velha máxima, a união faz a força (risos). 

Você lançou recentemente o seu segundo disco solo, “Veranito de San Juan”. O que te inspirou?
No Chile, em meio ao outono, aparecem dias de sol, é esse veranito. Quis trazer esse espírito. O disco mistura indie, jazz e pop.

O que aproveitou e o que ainda vai fazer em São Paulo? 
Ainda vamos participar do Circuito off do MicBR. Passeamos no Parque Ibirapuera, conheci o Museu Afro, me encantou. Estou aproveitando muito, São Paulo é muito intensa.

Quais são os seus planos para o futuro?
Nos próximos dias estarei em Belo Horizonte (MG) e acabei de vir do México. O plano é seguir viajando, seguir vindo ao Brasil, lançar mais discos e seguir essa carreira maravilhosa de música.